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Rolando Lazarte

Tenho escrito bastante acerca da Terapia Comunitária Integrativa. Tenho sabido, com alegria, que estas minhas publicações têm sido utilizadas em cursos de formação em TCI. Sensação de dever cumprido.

Ainda acredito que seja um fenômeno de uma natureza tal que, embora seja objeto da atenção científica tanto quanto do interesse de pessoas comuns, vai continuar a nos surpreender. Sempre aparecem novas facetas.

Atualmente me encontro na posição de quem sabe que esta rede, esta maneira de estar no mundo, este modo de ser, têm talvez a virtude maior de ser um lugar de acolhimento. É tudo de que precisamos, como seres humanos.

Um espaço onde não vamos ser julgados ou julgadas. Ninguém vai nos dizer o que devemos fazer, e ninguém vai nos dar conselhos. Não vamos ser interpretados ou interpretadas. O que nos une é o sentimento. Isto é o que cria comunidade.

Quando estou neste espaço, sei que vou encontrar forças para prosseguir. Sei que no espelhamento mútuo e no acolhimento da pedagogia da libertação, irei respirar melhor. Em tempos de pandemia e de restrição do espaço público de liberdade e mobilidade, é tudo que poderia desejar.

Nos dias de hoje parece ter-se instalado em muitas consciências, infelizmente, um tipo de fatalismo. Uma desistência. Uma claudicação moral que poderia nos fazer crer que não existe futuro nem esperança. Nada mais contrário à realidade. A humanidade é um prosseguimento, uma construção sequencial.

Qualquer passo que demos em qualquer direção, têm consequências. Que toda escolha seja nossa. É disto que se trata. É a isto a que nos estimula a TCI. Temos o direito de ser felizes. Ninguém nasceu para ser usado ou usada e descartado ou descartada.

A guerra que hoje é travada, como toda guerra, ocorre no campo da consciência. Tentam-nos convencer de que não há jeito. Que só vai piorar. O individualismo egoísta não é uma boa opção. É um suicídio. E esta ideologia nociva se espalha por toda a parte como se fosse natural.

O trabalho colaborativo é o que costura sentimentos e constrói vínculos. Numa sociedade fragmentada pelas forças dissolventes de uma cultura desagregadora, precisamos nos unir. Juntar forças. Seguir adiante. A TCI estimula nessa direção. Valorizar as diferenças. Propiciar a construção de pontes. Promover a vida. É isso aí.